Quem acompanha o mercado de duas rodas no Brasil provavelmente já conhece a nova XRE 190, lançada em maio deste ano pela Honda no País. O modelo chegou ao mercado em versão única, trazendo freios ABS de série na roda dianteira, exclusividade para a categoria, e com preço sugerido de R$ 13.300. Tanto seu preço, quanto suas qualidades de motor e ciclística, posicionam a XRE 190 entre a Bros e a sua irmã (XRE) de 300cc.

Alguns meses após seu lançamento, a XRE 190 já apresenta excelentes números de emplacamentos, deixando a nova trail da Honda como o terceiro modelo mais vendido do segmento. De acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), nos últimos três meses - junho, julho e agosto - deste ano 3.463 unidades da XRE 190 foram emplacadas, deixando o modelo somente atrás da Honda NXR 160 Bros (31.463 unidades) e da Honda XRE 300 (5.310 unidades) depois que começou a ser comercializada.

Motivados por esses números expressivos de venda, recebemos uma XRE 190 para um teste e para tentar explicar os motivos desse sucesso. Depois de muitos quilômetros na cidade e alguns trechos de estrada, é possível afirmar e questionar as vantagens e desvantagens da nova XRE 190. Vamos lá.

Ciclística acertada

Não há nada mais seguro do que pilotar uma motocicleta com uma ciclística acertada. Freios e o conjunto de suspensões devem “conversar” entre si e transmitir confiança ao piloto. Grande diferencial da XRE 190, o disco dianteiro com sistema ABS funciona muito bem na prática. O sistema como da XRE 300, com ABS e frenagem combinada nas duas rodas, ficaria caro demais, segundo a Honda. A solução foi instalar o ABS de 1 canal apenas, destinado à roda da frente.

Urbana, a XRE 190 nasceu para a cidade. As suspensões longas, de 180 mm de curso, na dianteira, e 150 mm, na traseira, encaram qualquer percalço que haja espalhado pela cidade, sem susto. Aliados aos freios a disco – 240 mm na frente e 220 mm atrás –, o conjunto ciclístico coloca a nova trail da Honda como uma das melhores opções para a cidade.

Vale dizer que o freio traseiro não tem ABS, ou seja, se pressionar com força a roda de trás vai travar. No entanto, isso não é um problema. Usando os freios em conjunto o piloto consegue parar com segurança sem problemas. Ao sair da estrada e pegar a terra, a XRE 190 perde um pouco sua destreza. Transpõe estradas não pavimentadas, mas está longe de encarar um off-road pesado.

Motor esperto

O motor monocilíndrico - com 184,4 cc, comando simples no cabeçote e refrigeração a ar - é bicombustível e alimentado por injeção eletrônica. Tem 16,3 cv (16,4 cv com etanol), cerca de 2 cv a mais do que a Bros, e 1,65 kgfm de torque (1,66 kgfm com etanol).

Na prática o que se nota é mais agilidade nas saídas dos semáforos e nas retomadas, mas ainda falta potência para encarar a estrada. Ao mesmo tempo em que sobra motor dentro da cidade, mesmo em vias rápidas, falta desempenho e conforto para uma viagem um pouco mais longa.

A XRE 190 atinge 120 km/h no painel, mas no limite. Para viajar com tranquilidade o piloto deve manter, no máximo, 100 km/h para não sofrer com as vibrações.

 
 
 
 

Moderna e econômica

A XRE 190 tem painel digital com velocímetro, conta-giros, computador de bordo, hodômetros, relógio e marcador de combustível – além do freio ABS na dianteira, que faz dela a moto mais moderna do segmento.

O consumo também agradou. Considerando um trajeto misto, cidade e estrada, a unidade testada registrou 33,7 km/l.

Conclusão

O grande diferencial do modelo é com certeza o freio ABS de um canal na roda dianteira. Com esse asfalto de péssima qualidade que temos no Brasil, nada melhor do que ter uma ciclística acertada, e isso a XRE 190 tem!

A pergunta que mais recebemos é: e a Bros? A Bros fica. Até porque depois de pilotar a XRE 190, fica claro que a posição de pilotagem é diferente. O piloto fica mais ereto e os braços mais abertos, além do assento ser mais baixo. Resumindo: essa moto está posicionada entre a Bros, modelo entrada, e a XRE 300.

A intenção da Honda é dar uma opção para quem busca algo além da Bros (R$ 11.257) e não consegue atingir a XRE 300 (R$ 17.750), seja no preço ou no nível de pilotagem. Portanto, a XRE 190 se torna, como mostram os números de emplacamento, uma escolha interessante para quem se encaixa nesse perfil.

 

André Jordão |