A usada da vez: Suzuki Bandit 1200

Suzuki Bandit 1200, a moto que já nasceu clássica
Suzuki Bandit 1200

Suzuki Bandit 1200 | Imagem: Tite Simões

Lançada em 1996, inicialmente apenas na versão naked, a Suzuki Bandit GSF 1200S é um dos produtos mais icônicos da marca. Ela já nasceu clássica com o tremendo motor de quatro cilindros em linha herdado da versão esportiva Suzuki GSX-R 1100, com exatos 1.157 cm3 de cilindrada, arrefecimento a ar+ óleo e potência declarada de 98 cv. Declarada, porque sempre desconfiei que tem mais de 100 cv! Conheço bem este modelo porque viajei quase 2.500 km com uma versão 2006 e pude avaliar todos os pontos positivos (muitos) e negativos (poucos).

Desde seu lançamento ela passou por grandes mudanças. A primeira grande mudança foi em 2001, quando recebeu nova ignição eletrônica, balança traseira, sistema de indução de ar, freios Tokico, tanque de gasolina maior, banco maior, nova geometria de quadro e novos carburadores. Porém, manteve o mesmo motor de quatro cilindros.

A terceira geração veio em 2006 que passou por enormes mudanças, a começar pelo quadro tubular perimetral bem mais moderno, escapamento com catalisador, novo tanque de gasolina (20 litros), suspensões reguláveis, freios com opção ABS e novo painel. Esta foi a última versão do motor 1200 com carburadores e é ela que vamos destacar nesta avaliação.

Suzuki Bandit 1200
Suzuki Bandit 1200
Imagem: Tite Simões

O grande destaque dessa “banditona” é o conforto para piloto e garupa. O banco é em dois níveis, largo e com espuma de boa densidade. Não fica muito bonita se instalar um baú traseiro, porque ela tem uma bela rabeta que não combina com esse acessório, mas pode receber bolsas laterais. O estilo que mais se enquadra nesta Suzuki é o que os americanos chamam de “muscle bike”, ou moto musculosa. Não é pensada em longas viagens, mas para passeios com muito conforto e até uso urbano.

Um dos pontos que ajuda no conforto é a posição de pilotagem já bem relaxada, mas que ainda pode ser melhorada por conta das pedaleiras reguláveis. A altura do banco ao solo pode ser alterada facilmente, a menor é de apenas 79 cm, o que até um baixinho como eu (1,68 m) consegue segurar na boa, apesar dos quase 220 kg (em ordem de marcha). Na ocasião do meu teste-viagem com esta versão escrevi:

“O corpo fica relaxado e os joelhos bem encaixados nas curvas do tanque. Totalmente clássica, tem como vantagem o conforto, mas a ausência de carenagem representa uma complicação para quem gosta de rodar acima de 120 km/h. É preciso bons músculos no pescoço e um capacete bem silencioso”.

Hoje em dia, com radar até na porta de casa, dificilmente alguém vai rodar por muito tempo acima de 120 km/h. Mas aí tem um problema: o consumo! Com quatro carburadores Mikuni de 36 mm ela gosta de beber litros de gasolina. E grandes motores carburados não gostam de rodar em baixa rotação, mantendo uma velocidade de cruzeiro de 100 km/h a média de consumo ficou em 14,5 km/litro, quase o mesmo de um carro pequeno. Mas quando aumentei a velocidade de cruzeiro para 140 km/h (5.000 rpm) o consumo melhorou para 17,8 km/litro que já é a média mais aceita para esse motor. Mas a chance de ser multado elimina qualquer benefício de menor consumo! A média geral de consumo durante toda a viagem (incluindo região urbana) foi de 15,5 km/litro. Portanto não é uma moto para motociclista pão-duro. Motor grande gosta de comer mais! O câmbio de cinco marchas é suficiente para manter uma viagem tranquila com baixíssimo nível de vibração.

Na parte ciclística o destaque é o quadro tubular de aço de concepção bem simples e a agradável suspensão traseira monoamortecida fácil de regular. Se for rodar constantemente com garupa é aconselhável colocar numa posição mais “dura”. A suspensão dianteira é por garfo telescópico convencional, sem frescuras. Um dos charmes desse modelo é o cobre-corrente de alumínio!

Mesmo se tratando de uma moto grandona ela é versátil e até dá pra curtir uma estrada sinuosa cheia de curvas. Mas os pneus (120/70 e 180/55) originais Michelin Macadam não gostam muito de esportividade. São muito duráveis, mas pra quem gosta de curvas o ideal é escolher um mais adequado. A boa dica é o Pirelli Angel GT que consegue ser confortável na estrada e segura bem nas curvas.

Para uso urbano ela se mostra meio trambolhenta porque o guidão esterça pouco (como em qualquer moto com radiador). Uma das coisas que mais gosto dessa geração de Bandit é o painel com dois instrumentos analógicos. Logo em seguida o velocímetro se tornou digital, mas mantiveram o instrumento redondo, numa solução medonha que lembra uma gambiarra.

Manutenção básica

Como os modelos 2006 são da terceira geração, foram vendidos muitos exemplares nas duas versões N (naked) e S (com carenagem). Por isso encontram-se muitas peças de reposição. Além disso – esta é uma regra que vale pra qualquer modelo usado – lembre que muitos componentes de desgaste são comuns entre vários modelos e marcas diferentes. Pastilhas de freios, corrente, lâmpadas, rolamentos são algumas das peças comuns entre marcas e modelos. No Brasil temos a vantagem de ter uma das mais conceituadas marcas de kit de relação (corrente/coroa/pinhão) que é a Vaz. Ela produz kits para modelos fora de linha. 

É normal os escapamentos originais ficarem amarelados nas curvas e até na ponteira. Isso não é um defeito! Quando fica amarelado nas curvas é sinal que a moto rodou muito em baixa velocidade (áreas urbanas) ou está com a mistura ar/gasolina “rica”, porque o aquecimento provoca essa tonalidade. Já a ponteira amarelada é sinal de gasolina de baixa qualidade. Mas é muito difícil achar uma moto dessa usada com a ponteira original porque a maioria dos usuários quer mesmo é ouvir o ronco do escapamento 4x1. 

Lembre: é um motor que tem QUATRO carburadores. Para regular e acertar essa turma toda é necessário um mecânico muito bem aparelhado!

Um dos pontos mais sacrificados em motos deste tamanho são os rolamentos da caixa de direção. Não é difícil de trocar nem de achar porque rolamentos são universais. Dificilmente existe um rolamento específico de uma marca/modelo. O mesmo vale para os rolamentos de roda.

Já em caso de acidente/queda aí sim pode ser difícil encontrar peças, mas isso vale para qualquer moto importada. Apesar de a Suzuki ter uma unidade em Manaus (AM) essas motos são importadas e montadas lá em regime de CKD. Portanto algumas peças podem ser difíceis de achar. Se vale como consolo, essa é uma moto muito customizável especialmente no estilo café-racer.

O que observar numa Bandit 1200 usada?

Como qualquer moto dessa categoria uma quilometragem alta não é preocupante porque esses motores foram feitos para rodar em baixa rotação e isso aumenta sensivelmente a durabilidade. Até 50.000 km esse motor ainda é considerado novo. Mas chamo a atenção para possíveis vazamentos nas juntas de cabeçote e de cilindros, assim como cheiro forte de gasolina, que pode indicar vazamentos em algum dos carburadores.

Verifique os rolamentos da caixa de direção e se as rodas de liga leve apresentam amassados. Uma coisa que afugenta qualquer comprador de moto usada é o abominável “eliminador de para lama traseiro”. Além de desnecessário, joga água da chuva nas costas do piloto e ainda pode gerar uma multa. 

O resto são os cuidados básicos: verifique se tem arranhados nas manoplas e manetes, nas pedaleiras e escapamento.

Valores

A terceira geração da Bandit 1200 N e S teve apenas um ano de mercado, porque em 2007 vieram as 1250 com motor arrefecido a líquido. Os valores de mercado são muito oscilantes, mas vão de R$ 16.500 a R$ 22.000 tanto nas versões N quanto S.

Ficha técnica

Motor

Tipo – quatro tempos, quatro cilindros, 16 válvulas, arrefecimento ar+óleo. 

Cilindrada – 1.157 cc

Diâmetro/curso – 79x59 mm

Potência – 98 CV a 8.500 RPM

Torque – 9,4 Kgf.m a 6.500 RPM

Taxa de Compressão – 9,5:1

Alimentação – 4 carburadores Mikuni 36 mm

Câmbio – cinco marchas; embreagem acionamento hidráulico 

Transmissão – coroa, corrente (com O-rings) e pinhão

Quadro - tubular perimetral de aço, balança traseira de alumínio

Suspensão dianteira – garfo telescópico regulável 

Suspensão traseira – monoamortecedor regulável 

Distância entre eixos – 1.430 mm

Freio dianteiro – duplo disco

Freio traseiro – disco *opção de ABS

Pneu dianteiro - 120/70 ZR 17

Pneu traseiro - 180/50 ZR 17

Comprimento total mm – 2.140 

Largura total mm - 765 

Altura do assento – 790 mm

 Peso seco – 215 kg (N) e 220 kg (S)

Tanque – 20 litros

Consumo de combustível – 15,5 km/litro (média geral)

Velocidade máxima (declarada) – 230 km/h

Suzuki Bandit 1200
Suzuki Bandit 1200
Imagem: Tite Simões
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