Lambretta, uma paixão em família que vem de berço (e não tem preço!)

Conheça modelo especial conta com o raro acessório de época sidecar, fabricado pela extinta Jodora; saiba mais detalhes
Lambretta TV LI 175 de 1961

Lambretta TV LI 175 de 1961 | Imagem: Arquivo pessoal

A história da Lambretta surgiu quando a 2ª Guerra Mundial já havia acabado e só se tornou realidade pelas mãos de um visionário italiano chamado Ferdinando Innocenti. Em meio aos estragos causados pelos conflitos, o industrial europeu teve a ideia de criar uma scooter simples, prático e barato de comprar e de manter.

Surgia assim a primeira Lambretta (Modelo A) 125 M em 1947 com motor de 1 cilindro de 125 cm³ alimentado por um carburador (Dellorto MA 16) e apenas 4,1 cv de potência.

O sucesso foi imediato e não demorou para que o fenômeno se espalhasse para outros países, incluindo o Brasil que também ganhou a licença para fabricá-la através da chancela Lambretta do Brasil S.A., em 1955, representada pela Innocenti, em São Paulo. 

A partir de 1960 foi lançado a Lambretta Série Brasil LI, modelo correspondente ao modelo "Série 2", lançado um ano antes na Itália pela Innocenti. Entre as principais mudanças, a scooter passou a usar sistema de acionamento do motor para a roda traseira por corrente, substituindo o eixo cardã, o câmbio passou a ter 4 marchas, os pneus passaram a usar aro 10" ao invés de 8", além de outros detalhes.

A Lambretta TV (Turismo Veloce) LI 175 de 1961 das fotos pertence a Andressa Doro, esposa de Osmani Souza, um restaurador nato de Lambrettas, Vespas e outros modelos de motonetas antigas. Além de restaurar que é o seu trabalho, Osmani também tem um canal dedicado às Lambretas, o lambrettadepoca

Lambretta TV LI 175 de 1961
Lambretta TV LI 175 de 1961
Imagem: Arquivo pessoal

“É uma paixão que vem desde cedo e que procuramos repassar aos nossos filhos como o Miguel que quando tinha apenas sete dias de vida, já fez pose em cima de uma Lambretta”, brinca. Hoje o grande Miguel está com 10 anos e segue os passos do pai e da mãe através dos passeios e encontros que participam regularmente por São Paulo.

Falando da Lambretta, Souza comenta que ela é especial e não existe outra igual. Foi toda restaurada e foram mantidas as características originais das “românticas” épocas da indústria de veículos na qual os tons pastéis predominavam.

“Os tons verde e branco creme foram escolhidos pela minha esposa e são baseados em livros italianos, já os detalhes da carroceria, as manoplas, as borrachas de acabamentos são todas cinzas e remetem às motonetas italianas”, detalha. A simplicidade e o charme de suas linhas clássicas e curvilíneas combinaram bem com a linda pintura. 

Lambretta TV LI 175 de 1961
Lambretta TV LI 175 de 1961
Imagem: Arquivo pessoal

No painel, há apenas o necessário como o velocímetro e o odômetro total e um detalhe curioso é o sidecar com estofamento axadrezado combinando com os assentos da motoneta. Segundo conta Osmani, o sidecar foi um acessório que na época era vendido às Vespas e Lambrettas pela extinta concessionária paulistana Jodora que também fabricou os primeiros karts em série no Brasil, no final da década de 1950. 

Os pneus são faixa branca (nas medidas 3,50 x 10’’) também passaram por um minucioso processo de restauração e foram montados cuidadosamente nas originais rodas de aço estampado, desmontável em duas partes.

“Detalhes como o aro de farol é antigo de época, e o ‘corpo’ da lanterna traseira nós trouxemos da Itália, que são peças que não existem no Brasil e são bem raras.

Lambretta TV LI 175 de 1961
Lambretta TV LI 175 de 1961
Imagem: Arquivo pessoal

Não menos importante, o motor monocilíndrico de dois tempos e 175 cm³ com resfriamento por corrente de ar forçada também foi todo refeito e encontra-se totalmente funcional. Ele rende a potência de 8,75 cv despejados a 5.300 rpm, graças à ajuda de um câmbio sincronizado de quatro marchas.

Se você se interessou pela Lambretta TV LI 175 de 1961, nem pense em fazer uma oferta, pois a família Souza nem pensa em vender. “Ela faz parte da família e temos um grande carinho pela Lambretta, ou seja, é uma Lambretta única que fizemos e que não foi feita para ser vendida”, resume Osmani Souza.

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