Nova e moderna: NH 190, crossover da Dafra, chega ainda este mês

Confira avaliação de Tite Simões sobre a novidade da Dafra para o nosso mercado
Com motor de 18 cv enfrenta as estradas com tranquilidade

Com motor de 18 cv enfrenta as estradas com tranquilidade | Imagem: Tite Simões

Olhando parece grande e pesada. Mas é só ilusão porque a Dafra NH 190 é bem leve e compacta. Produzida pela SYM (SanYang Motors) de Taiwan e nacionalizada pela Dafra, essa pequena crossover marca a entrada da marca brasileira no segmento on-off road.

O primeiro impacto vem da carenagem que remete a alguns modelos conhecidos como BMW F 800GS e Kawasaki Versys 1000. As linhas são retas, angulosas, ainda respeitando a tendência de estilo atual. Ainda obedecendo as tendências, o farol, lanterna e setas são de LED, o que já virou quase unanimidade nos novos modelos.

O estilo é moderno e segue a tendência de linhas retas
O estilo é moderno e segue a tendência de linhas retas
Imagem: Tite Simões

Pode-se dizer que em termos de estilo está bem antenada. Só alguns detalhes não combinam como peças cromadas (bem ao gosto asiático) e o inexplicável escapamento desproporcional. Existem várias soluções para o escapamento de moto com esse visual, mas escolheram o pior!

Muito bom o acabamento e pintura e o painel digital com muitas informações, sobretudo o indicador de marcha, muito útil como veremos mais à frente. Só o indicador de carga da bateria que poderia ser substituído por um relógio de horas, bem mais útil. Guidão largo e alto – sem crossbar – bem ao estilo uso misto é apoiado em enormes prolongadores, porque lá fora existe o modelo NH 190X, uma naked, que usa a mesma estrutura. Com a adoção da carenagem foi preciso deslocar o guidão bem para cima.

Belo conjunto ótico com luzes de LED
Belo conjunto ótico com luzes de LED
Imagem: Tite Simões

Seguindo a linha da carenagem está o tanque com capacidade para 11 litros, largo e com encaixe para as pernas. Na sequência, o banco largo, em dois níveis, de espuma bem densa. Para fechar a posição de pilotagem é bem típica das motos on-off, com as pedaleiras do piloto bem recuadas. Aliás, poderiam estar uns 5 cm mais à frente, principalmente para melhorar a postura de quem tem mais de 1,75m. Pra pilotar em pé ficou ótima, mas pra pilotar na cidade e estrada cansa um pouco.

Leve e baixa, pode agradar o público feminino
Leve e baixa, pode agradar o público feminino
Imagem: Tite Simões

Ainda com a moto parada percebemos a preocupação com acabamento ao adotar peças de plástico com acabamento fosco imitando carbono, protetor de motor, suportes das pedaleiras do garupa pintados de preto brilhante e lanterna traseira bem moderna.

Na cidade

Ao acionar o motor – de um cilindro, quatro válvulas e arrefecimento líquido – lembra um pouco um funcionamento “áspero” do motor KTM 200. É um motor que gira alto e gosta de trabalhar acima de 4.500 RPM. Só que acima desta faixa a vibração aparece nas pedaleiras e manetes.

Logo nos primeiros metros senti a posição de pilotagem muito boa pra cidade. Na ficha técnica não tem a altura do banco ao solo, mas eu tenho 1,68m e consegui colocar os dois pés no chão sem dificuldade. Curioso que ela parece bem mais leve do que os 141 kg (seco) e pode-se circular entre os carros sem dificuldade.

O painel é todo digital e com indicador de marcha
O painel é todo digital e com indicador de marcha
Imagem: Tite Simões

Só que todo motor de quatro válvulas gosta de funcionar em regime de alta rotação. Até aí nenhuma novidade. Porém o câmbio tem seis marchas e no trânsito intenso de São Paulo foi preciso trocar de marchas constantemente porque a retomada de velocidade é mais lenta nos cabeçotes multiválvulas. O que ajuda bastante é o indicador digital de marchas, porque a sexta é tão longa que a gente esquece de engatar. Outro alívio é o câmbio bem macio de fácil engate.

Assim que peguei uma rua de calçamento senti que a suspensão está um pouco “dura” para a realidade brasileira. É bom lembrar que esses modelos 190cc são fabricados pela SYM pensando no mercado europeu, especialmente Itália, onde tem uma sede. Na Europa o pavimento é mais regular, para ser gentil. 

Acredito que merecia uma revisão tanto nos amortecedores quanto nas molas, porque efetivamente não está no padrão do piso brasileiro. Sem querer entrar em comparações, a concorrente mais direta é a Honda XRE 190, com suspensões mais progressivas e curso maior. 

Outro item que merece atenção são os freios. Equipada com disco nas duas rodas essa Dafra conta com sistema combinado CBS. Normalmente o CBS atua quando o motociclista aciona o freio traseiro e uma pequena parte se divide para a roda dianteira. É uma solução interessante para substituir o ABS, que em motos leves não tem tanta eficiência. Porém nesta NH 190 o CBS manda muita ação pro freio dianteiro a ponto de quase nem precisar recorrer à manete de freio. Não sei qual a proporção do freio dianteiro é acionada, mas certamente é bem mais de 20% porque a frente afunda como se tivesse usado 100% do freio. O lado bom é que as duas mangueiras de freios são com malha de aço, que transmitem muita segurança em qualquer frenagem.

Na estrada

Depois de rodar na cidade foi a vez de pegar um trecho de estrada. A primeira curiosidade foi conferir se conseguiria encher o motor em sexta marcha. Normalmente a sexta marcha é uma espécie de overdrive para melhorar o consumo e reduzir a rotação em velocidade de cruzeiro. O consumo não conseguimos medir e nem nos foi fornecido no material de imprensa. Qualquer número seria um chute. Mas a rotação realmente fica mais baixa em sexta marcha: a 100 km/h o motor estabiliza a 5.800 RPM. 

A retomada de velocidade é bem lenta quando mantida em sexta. Este motor de quatro válvulas gosta mesmo é de trabalhar acima destes 5.800 RPM, quando ganha vigor e sobre de giro mais rapidamente. Abaixo de 4.500 RPM é preciso reduzir para ganhar velocidade. Um dos culpados pela demora na retomada é o que se chama de “faixa útil” do motor, aquela que fica entre o torque máximo e a potência máxima. 

O torque máximo de 1,6 Kgf.m se dá a 7.500 RPM e a potência de 18 CV é aos 8.500 RPM. Esses 1.000 RPM de diferença é a tal faixa útil. Quanto menor é essa faixa, menos “elástico” é o motor, o que exige muitas trocas de marcha para retomar e manter velocidade.

Já a velocidade máxima, na melhor passagem, foi de 141 km/h indicada pelo velocímetro. Pelo aplicativo Speedometer a velocidade registrada foi de 127 km/h. Nem é tão importante a velocidade, mas chegar nela em sexta a 8.000 RPM, sinal que a relação de marcha foi bem escalonada.

Na velocidade de cruzeiro de 100 km/h percebe-se a vibração do motor, assim como o ruído dos pneus Pirelli MT 60. Aqui percebe-se uma interferência do departamento de marketing. Normalmente uma das queixas de motociclistas que pouco entendem de moto é com relação à medida dos pneus. Por um equívoco nunca bem explicado, os brasileiros gostam de pneus largos. 

No caso desta 190 a escolha foi pelo 100/90-19 na dianteira e 130/80-17 na traseira. O que é um exagero! Poderiam optar pelos 90/90 na frente e 110/90 na traseira a moto poderia ser 110/90 que garantiriam a mesma estabilidade e conforto, porém com menos arrasto. A moto ficaria mais leve, mais econômica e mais silenciosa. Recomendaria também a inclusão do cavalete central, que faz muita falta especialmente em motos com pneus com câmera. Queria ver um engenheiro tirando a roda traseira só com o cavalete lateral!

Entrada USB muito útil para plugar GPS e celular
Entrada USB muito útil para plugar GPS e celular
Imagem: Tite Simões

Como o preço ainda não tinha sido anunciado até o momento desse teste, imagino que ficará entre R$ 12.000 e R$ 14.000 que é a faixa entre a Honda Bros 160 e a Honda XRE 190. Não acho justo comparar com as motos fabricadas no Brasil, porque temos um padrão de qualidade em motos pequenas acima da maioria dos produtores mundiais. Mas será inevitável. O que pode pesar a favor da NH 190 é o motor mais moderno e potente e o detalhe da entrada USB muito útil hoje em dia, mas admito que é uma escolha puramente pessoal. Não aceito o argumento de “menos visada pra roubo” como decisão de compra, porque isso independe da qualidade, mas da secretaria de segurança pública. No entanto sei que este será um dos fatores levados em conta na escolha de motos, sobretudo nas grandes cidades.

Também não é possível avaliar questões como pós-venda ou durabilidade porque tivemos apenas poucos dias de acesso. Com certeza a SYM não faz produtos pouco duráveis. Essa fábrica começou em 1954 fornecendo suprimentos para a Honda. Hoje é um dos grandes conglomerados industriais de Taiwan, país que produz 12 milhões de motos ao ano! Em um cenário tão concorrido uma marca não sobreviveria fazendo produtos ruins. 

Especificações Técnicas - Dafra NH 190

Motor: 4 tempos, monocilíndrico, 4 válvulas, arrefecimento líquido 

Pneus: Dianteiro 100/90-19 57 H. Traseiro 130/80-17 65 H 

Cilindrada: 183 cm³ 

Sistema de freios: FH-CBS 

Potência máxima: 18 cv a 8.500 rpm 

Tanque: 11 L 

Torque máximo: 1,6 kgfm a 7.500 rpm 

Peso seco: 141 kg 

Transmissão: manual, 6 marchas 

Altura: 1357 mm 

Sistema de partida: elétrica 

Largura: 900 mm 

Chassi: Diamond 

Comprimento: 2068 mm 

Suspensão dianteira: telescópica, 135mm 

Distância entre-eixos: 1405 mm 

Suspensão traseira: braço oscilante/monoamortecida, 145mm 

Altura mínima do solo: 180 mm 

Rodas: aço, raiadas

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