Dança das cadeiras da MotoGP 2027: quem vai para onde
Mudanças nas equipes aceleram após acordo entre fabricantes para o novo ciclo da categoria com motores 850cc
A MotoGP iniciou uma grande reformulação do grid para a temporada de 2027. As mudanças quase todas as equipes oficiais e satélites, alterando significativamente a composição do campeonato.
Embora a maior parte dos contratos dos pilotos terminasse apenas ao final de 2026, os anúncios permaneceram suspensos durante vários meses. As fabricantes aguardavam a conclusão das negociações do novo acordo comercial da categoria antes de oficializar as movimentações.
Com o entendimento firmado entre Ducati, Aprilia, KTM, Honda e Yamaha para o ciclo de 2027 a 2031, apresentado durante o GP da República Tcheca, em Brno, as equipes divulgaram suas formações. O resultado é uma das maiores reorganizações do mercado de pilotos dos últimos anos. Veja o que sabemos até agora.
Ducati
A Ducati Lenovo confirmou a renovação de Marc Márquez, que seguirá na equipe oficial até o fim de 2028. Logo depois, anunciou a saída de Francesco Bagnaia, encerrando uma parceria marcada por títulos e vitórias.
Para ocupar a vaga, a fabricante italiana contratou Pedro Acosta, que deixa a Red Bull KTM após toda a sua trajetória na categoria com a equipe austríaca.
A mudança também representa um marco para a Ducati. Pela primeira vez em 17 anos, a equipe oficial deixará de contar com um piloto italiano em sua formação.
Saída: Francesco Bagnaia (Aprilia)
Chegada: Pedro Acosta (KTM)
Aprilia
Na Aprilia, Marco Bezzecchi já havia sido confirmado para 2027 ainda antes dos testes de Sepang. A principal novidade veio posteriormente com a contratação de Francesco Bagnaia, que deixa a Ducati após se tornar o piloto mais vencedor da história da fabricante de Borgo Panigale.
Os dois voltam a dividir a mesma equipe depois da experiência na estrutura da VR46 durante as categorias de base.
A vaga surgiu após a decisão de Jorge Martín, campeão mundial de 2024, de deixar a Aprilia depois de apenas uma temporada completa.
Saída: Jorge Martín (Yamaha)
Chegada: Francesco Bagnaia (Ducati)
Yamaha
A Yamaha optou por reformular integralmente sua equipe de fábrica para 2027.
Primeiro foram anunciadas as saídas de Fabio Quartararo e Álex Rins. Em seguida, a fabricante confirmou a chegada de Jorge Martín, vindo da Aprilia, e de Ai Ogura, promovido da Trackhouse Aprilia.
A contratação de Ogura ocorre poucos dias depois de sua vitória em Assen, resultado que o tornou o primeiro piloto japonês a vencer uma corrida da MotoGP desde Makoto Tamada, em 2004.
Saídas: Fabio Quartararo (rumo à Honda, ainda sem anúncio oficial), Álex Rins (sem equipe definida até o momento)
Chegadas: Jorge Martín (Aprilia), Ai Ogura (Trackhouse Aprilia)
KTM
Com a saída de Pedro Acosta, a KTM também iniciou um novo ciclo.
A equipe contará com Álex Márquez, que retorna ao status de piloto oficial após sua passagem pela Gresini, e com Fabio Di Giannantonio, contratado junto à VR46.
As mudanças deixam Brad Binder, integrante da equipe desde 2020, sem destino confirmado para a próxima temporada.
Saídas: Pedro Acosta (Ducati), Brad Binder (sem equipe definida até o momento)
Chegadas: Álex Márquez (Gresini), Fabio Di Giannantonio (VR46)
Gresini
A BK8 Gresini renovou seu acordo com a Ducati e definiu a dupla que disputará a temporada de 2027.
O campeão mundial de 2020, Joan Mir, deixa a equipe oficial da Honda para assumir uma Ducati com especificação de fábrica, repetindo um caminho semelhante ao percorrido por Marc Márquez anteriormente.
Ao seu lado estará Daniel Holgado, primeiro estreante oficialmente confirmado para o grid de 2027. O espanhol sobe da Moto2 após defender a equipe Aspar.
Saídas: Álex Márquez (KTM), Fermín Aldeguer (VR46)
Chegadas: Joan Mir (Honda), Daniel Holgado (Moto2)
Honda
Entre todas as fabricantes, a Honda ainda concentra a maior indefinição da temporada de transferências.
Embora Fabio Quartararo seja apontado como o principal nome para integrar a equipe oficial em 2027, a fabricante japonesa ainda não oficializou sua contratação. Ao mesmo tempo, Joan Mir já teve sua saída confirmada rumo à Gresini, enquanto Luca Marini também pode ser um nome indefinido.
A principal dúvida envolve justamente a segunda moto da equipe de fábrica. Os candidatos são David Alonso, campeão da Moto3 em 2024 e atualmente na Moto2, e o brasileiro Diogo Moreira, que possui contrato plurianual assinado diretamente com a Honda.
Na prática, isso garante a permanência de Moreira na estrutura da fabricante, mas não necessariamente na equipe oficial. Uma das possibilidades discutidas é que David Alonso estreie pela LCR Honda ao lado de Johann Zarco, permitindo a promoção do brasileiro para a HRC.
Outras equipes satélites
Apesar de boa parte das vagas já ter sido preenchida, quatro equipes ainda trabalham para concluir suas formações.
Na VR46, Fermín Aldeguer aparece como nome encaminhado para ocupar uma das motos com status de piloto de fábrica da Ducati. O segundo assento deve ficar com Nicolò Bulega, atual líder do Mundial de Superbike e piloto de testes da Ducati para o projeto da moto de 850cc. Caso a negociação não avance, Luca Marini surge como alternativa.
Na Trackhouse Aprilia, a expectativa é pela chegada de Enea Bastianini, vindo da Tech3. O outro piloto deverá continuar sendo Raúl Fernández, cuja renovação é considerada provável.
A Pramac Yamaha já confirmou a permanência de Toprak Razgatlioglu para 2027 e deve promover Izan Guevara, atualmente na Moto2. Com isso, Jack Miller tende a perder espaço na equipe.
Já a Tech3 segue como a única equipe sem pilotos oficialmente definidos. A estrutura comandada por Günther Steiner procura equilibrar experiência e renovação, avaliando nomes como Maverick Viñales e Luca Marini para uma das motos, enquanto Senna Agius e Manuel González disputam a vaga destinada a um estreante.
Motores de 850cc
As mudanças no mercado de pilotos estão de certa forma, ligadas ao regulamento técnico que entrará em vigor na MotoGP em 2027.
A principal novidade será a redução da cilindrada dos motores, que passarão dos atuais 1.000 cc para 850 cc. Além disso, os dispositivos de ajuste de altura da suspensão, utilizados tanto nas largadas quanto durante as corridas, serão proibidos.
Outro ponto importante é a limitação da aerodinâmica, que passará a contar com regras mais restritivas, enquanto a Pirelli substituirá a Michelin como fornecedora exclusiva de pneus da categoria. A marca italiana já fornece os compostos utilizados na Moto2 e no Mundial de Superbike.
Enquanto parte das vagas para 2027 ainda aguarda confirmação oficial, a MotoGP entra em sua pausa de verão. O campeonato retorna entre os dias 7 e 9 de agosto com o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, etapa que abre a segunda metade da temporada e pode trazer novos anúncios sobre a composição do grid para o próximo ciclo.
