Kawasaki Ninja que passou por 94 países volta do fundo do mar do Caribe
Moto ficou dois dias submersa a 36 metros, mas deverá voltar às estradas em outubro de 2026
Uma Kawasaki Ninja ZX-6R 636, ano 2004, que já passou por 94 países e acumulou aproximadamente 200 mil quilômetros, está sendo restaurada depois de permanecer dois dias no fundo do Mar do Caribe. A motocicleta foi localizada a cerca de 36 metros de profundidade após um naufrágio ocorrido durante uma viagem entre a Colômbia e o Panamá.
A moto pertence ao espanhol Toni Moles Salvador, de 30 anos, nascido em Benicarló. Chamada de Débora, a Kawasaki acompanha o motociclista desde os 19 anos e foi utilizada em viagens por diferentes continentes, incluindo regiões remotas, desertos, salares, parques nacionais e estradas africanas.
O objetivo agora é recuperar a motocicleta e fazê-la voltar às estradas. Segundo Toni, a expectativa é concluir essa etapa em outubro de 2026. O motor ainda não voltou a funcionar, e praticamente toda a moto precisou passar por revisão, reparo ou substituição de componentes depois da exposição à água salgada.
Ninja ZX-6R 636
Aos 19 anos, depois de obter a habilitação necessária para conduzir motos de maior cilindrada, o espanhol comprou uma Kawasaki Ninja ZX-6R 636. O modelo já fazia parte de suas preferências desde a infância e, com o passar dos anos, acabou se tornando o principal veículo de suas viagens.
A Kawasaki recebeu o nome de Débora a partir de “DeboraKilómetros”, identidade utilizada por Toni para divulgar suas aventuras. Ele explica que todas as suas motocicletas receberam nomes.
Viagens pelo mundo
A trajetória com a Ninja não começou como um projeto mundial totalmente planejado. As viagens foram ampliadas gradualmente, conforme Toni atravessava novas fronteiras e conhecia outros países.
Com o aumento da distância percorrida, a motocicleta passou a representar mais do que um meio de transporte para o viajante. O espanhol afirma que a relação construída com a Ninja é parte importante de sua história.
A escolha de uma esportiva para viagens de longa distância também foi deliberada. Toni não considera obrigatório utilizar uma motocicleta trail para esse tipo de aventura e afirma que prefere viajar com o modelo pelo qual tem maior identificação.
Naufrágio no Caribe
O episódio que interrompeu a viagem ocorreu em 15 de janeiro de 2025, durante uma travessia entre a Colômbia e o Panamá.
Toni decidiu não transportar a Kawasaki por avião porque entendia que isso retiraria parte da experiência da viagem. A alternativa escolhida foi uma embarcação que fazia o trajeto pelas ilhas do Darién e do Caribe.
Durante a travessia, o mar estava agitado. Conforme o relato do motociclista, as condições da embarcação também não eram adequadas. Fortes ondas atingiram o barco, que acabou naufragando no Tapón del Darién.
Resgate a 36 metros
Com o apoio de sua companheira, Louisiane, Toni iniciou a busca por mergulhadores experientes na região de Capurganá.
A operação teve dificuldades relacionadas à ausência de coordenadas precisas e às negociações locais necessárias para permitir o acesso à embarcação.
Depois de dois dias submersa, a Kawasaki foi localizada a aproximadamente 36 metros de profundidade. A motocicleta foi então retirada do fundo do Mar do Caribe e posteriormente levada de volta à Espanha.
Restauração da Ninja
Praticamente toda a motocicleta precisou ser revisada, reparada ou substituída. Entre os componentes originais que foram preservados estão o chassi, o carenado, as rodas e a balança traseira.
O hodômetro também foi danificado durante o período em que a moto permaneceu submersa. Por isso, Toni estima que a Kawasaki tenha percorrido aproximadamente 200 mil quilômetros, mas não consegue confirmar a quilometragem exata.
A Ninja já está novamente na Espanha e passa pelo processo de restauração. O motor ainda não voltou a funcionar, e o objetivo do proprietário é concluir os trabalhos a tempo de colocar a motocicleta novamente nas estradas em outubro de 2026.
Próxima etapa
Depois da restauração, Toni pretende retornar à África para percorrer países localizados ao longo da costa atlântica do continente.
A próxima fase também deverá contar com a participação de Louisiane, que passou a acompanhar o motociclista nas viagens e agora integra a trajetória construída ao lado de Débora.
Existe ainda a possibilidade de a Kawasaki ser enviada novamente para a Ásia em uma etapa posterior. O roteiro, no entanto, ainda não está definido.
