Avaliação Honda NC 750X 2026: vale a pena? Impressões
Com design repaginado, painel colorido de TFT e melhorias eletrônicas, rodamos 200 km com a crossover japonesa
Lançada em 2011, a Honda NC 700X foi uma das precursoras do conceito crossover no segmento de motocicletas. Equipada com rodas de liga-leve de 17 polegadas, o modelo mistura a agilidade das motos naked com o conforto da posição de pilotagem típica das trails. A crossover nasceu com a proposta de ser uma moto racional para o uso urbano e em viagens.
Contudo, tem evoluído ao longo dos anos, chegando agora como NC 750X 2026. Ganhou motor maior, um design cada vez mais sofisticado e novas tecnologias, como controle de tração, modos de pilotagem e o cômodo e prático câmbio DCT.
Nessa nova geração 2026, que chegou às lojas em novembro com preço sugerido de R$ 56.621 para a versão com câmbio manual e R$ 61.948 para a versão com câmbio de dupla embreagem, a NC 750X evoluiu ainda mais. Ganhou novas carenagens, um farol com assinatura inédita e um painel mais moderno e completo, com tela colorida TFT de 5 polegadas e bastante informativo.
A crossover da marca japonesa também sofreu alterações na parte ciclística para torná-la mais ágil, fácil de pilotar e segura. A principal mudança está no freio dianteiro, que agora tem dois discos de 296 mm e pinça de quatro pistões - a novidade garante frenagens mais eficientes e equilibradas do que o antigo disco simples.
Como anda a NC 750X DCT 2026
Embora a NC 750X 2026 tenha ficado mais pesada, 214 kg a seco na versão com câmbio DCT, avaliada nesse teste, mal se notam os quilos a mais. Consequência da nova centralização de massas com o reposicionamento da bateria e também das rodas mais leves. O assento a apenas 802 mm do solo contribui para a sensação de que a nova geração da crossover não pareça mais pesada, além de facilitar apoiar os pés no chão.
Ao dar partida, o motor de dois cilindros e 745 cm³ de capacidade emite um ronco mais grave e compassado em função do novo sistema de escapamento. Adequado às regras do Promot 5, o bicilíndrico manteve os 58 cv de potência a 6.750 rpm e os 7,0 kgf.m de torque máximo já a 4.750 giros.
Ao engatar o “Drive” no câmbio DCT já surge uma das melhorias no modelo 2026: os novos parâmetros de funcionamento do câmbio de dupla embreagem facilitam as partidas e as manobras em baixa velocidade com respostas mais precisas e menos bruscas do acelerador. Em movimento, as trocas continuam rápidas, suaves e quase imperceptíveis.
Entretanto, o funcionamento do DCT também varia de acordo com o modo de pilotagem selecionado. A nova NC 750X 2026 manteve os três modos pré-selecionados (Standard, Sport e Rain) e agora traz dois modos personalizáveis (User 1 e User 2). Os modos alteram a resposta do acelerador, o nível do freio motor, a atuação do controle de tração e também o mapa de trocas de marchas.
No modo standard, por exemplo, as trocas são feitas em rotações mais baixas, privilegiando a suavidade na condução e a economia de combustível. Já no modo Sport, as trocas acontecem em giros mais altos, esticando as marchas e proporcionando uma pilotagem, digamos, mais esportiva. Isso porque a NC 750X com seu motor de dois cilindros proporciona uma pilotagem fácil, sem sustos, com entrega de potência de forma bastante linear, sem assustar até mesmo os menos experientes.
Ciclística e suspensões
No percurso da avaliação, durante o evento de lançamento do modelo, rodamos cerca de 190 km pelas rodovias do interior de São Paulo e do sul de Minas Gerais. Estradas bastante sinuosas que serpenteiam pelas belas paisagens montanhosas da Serra da Mantiqueira. Nessa situação, selecionei o modo “Sport” para ter mais emoção e também menos atuação do controle de tração - dessa forma, a NC 750X também mostra que, apesar de ser uma moto racional, pode também ser divertida.
Seu bom conjunto ciclístico transmite confiança para contornar as muitas curvas da região com segurança. O novo freio na dianteira para com precisão e eficiência os cerca de 230 kg em ordem de marcha da versão DCT. As suspensões - garfo telescópico convencional, na dianteira, e monoamortecedor, na traseira - vão bem no asfalto e até absorvem os pequenos buracos do pavimento. Vale dizer que, entre as medidas para distribuir melhor o peso na nova geração do modelo, a Honda adicionou mais 2 mm de curso na traseira. Com isso, a NC 750X tem 120mm, na frente, e 122 mm de curso, atrás.
Números que mostram bem sua proposta crossover, ou seja, trata-se de uma moto voltada para o asfalto, mas que até encara uma estrada de terra batida. Contudo, as rodas de liga-leve aro 17, os pneus mais on-road e a baixa distância do solo (somente 142 mm) limitam suas aventuras no fora-de-estrada.
Conforto e ergonomia
Apesar de não ser uma moto aventureira propriamente dita, a Honda NC 750X é uma moto feita para dupla jornada: fácil de pilotar e ágil para o uso urbano e confortável para pegar a estrada. Durante o roteiro de quase 200 km pela Serra da Mantiqueira, o banco, que recebeu novo revestimento, mostrou-se confortável e não cansou o piloto. A posição de pilotagem ereta e o novo desenho do para-brisa também agradaram, desviando o vento - ao menos no meu caso, que meço 1,71 m.
Vale destacar o novo painel com brilho adaptável, que facilita a visualização de diversas informações: da velocidade ao consumo médio e instantâneo, além dos modos de pilotagem. Infelizmente, assim como em outros modelos Honda lançados recentemente, a nova NC 750X ainda não vem com o sistema Honda Road Sync de conectividade para smartphones, como acontece com as versões vendidas na Europa. De acordo com a fabricante, não houve tempo hábil para homologar o sistema junto aos órgãos competentes. Segundo fontes ligadas à marca, a conectividade pode vir em futuros modelos da NC 750X.
Outro diferencial da NC é o porta-objetos existente no lugar onde normalmente se encontra o tanque de combustível. Com capacidade para 23 litros, comporta uma pequena mochila ou ainda um capacete fechado, quando se estaciona a moto. Com câmbio “automático” e compartimento, a NC 750X DCT é quase tão prática como uma scooter na cidade.
Entretanto, se o objetivo for viajar bastante, vale investir em um conjunto de malas laterais e top-case, vendido como acessório pela Honda. Isso porque o bocal do tanque de combustível fica bem abaixo do banco da garupa. Portanto, quando se amarra a bagagem na rabeta existe o inconveniente de ter que retirá-la toda vez que for abastecer.
Outro ponto negativo vai para a ausência de cruise control, o tal piloto automático, que permite selecionar uma velocidade constante para percorrer longos trajetos na estrada. Afinal, a nova geração da NC 750X tem tudo para receber o sistema: acelerador eletrônico, modos de pilotagem e até um câmbio automatizado na versão DCT. Ou seja, bastava o botão de acionamento do cruise control para aumentar o conforto em longas viagens.
Conclusão
A cada geração a Honda NC 750X evolui em termos de equipamentos, ciclística e tecnologia. Tudo sem perder sua proposta de ser uma moto racional, fácil de pilotar e econômica. O consumo declarado pela Honda é de 24 km/litro - o que resulta em uma autonomia de mais de 300 km. Durante a avaliação, contudo, a NC 750X no modo Sport e em um ritmo mais forte fez 22 km/litro - ainda assim um consumo baixo para uma moto dessa capacidade cúbica.
Com assento confortável e baixo (802 mm), boa proteção aerodinâmica e diversos acessórios para viagens, a NC 750X é um dos modelos touring mais acessíveis do atual line-up da Honda. Seu bicilíndrico paralelo “gira pouco”, oferece bastante torque e quase nenhuma vibração. Uma receita interessante para quem quer viajar.
O comportamento do bicilíndrico, aliás, casa muito bem com o câmbio DCT de dupla embreagem. Com as trocas automatizadas comandadas por uma central eletrônica, não há o risco de esticar as marchas acima do necessário, já que o motor corta cedo. Com isso, os passeios ficam mais prazerosos e confortáveis até mesmo para a garupa.
Tanto que o perfil do seu consumidor é de um motociclista experiente e com mais de 45 anos, de acordo com a Honda. Em sua maioria masculino, tem outro veículo, como um automóvel, e usa a moto ocasionalmente ou nos momentos de lazer. Ou seja, a NC 750X DCT é uma opção racional, sem gastar tanto.
Com preço sugerido de R$ 61.948, a NC 750X DCT surge como uma boa opção para motociclistas mais maduros que procuram uma moto para rodar na cidade e pegar a estrada. Apesar do preço superior a algumas concorrentes, como a Triumph Tiger Sport 660 (R$ 59.190) e Kawasaki Versys 650 (a partir de R$ 55.590), a atual geração da NC 750X traz como diferencial os modos de pilotagem, o painel mais sofisticado e o câmbio de dupla embreagem - uma exclusividade da Honda.
