Royal Enfield Bear 650 no Brasil: o que esperar? Primeiras impressões
Colocamos à prova em primeira mão o próximo lançamento da marca no mercado nacional; veja análise
A Royal Enfield Bear 650 2026 está perto do lançamento no Brasil. O modelo vai expandir a família 650 da marca indiana, trazendo o tradicional motor Twin, mas com ajustes importantes, além de um visual nostálgico que remete especialmente à década de 1960.
Tive a oportunidade de rodar com a Bear 650 antecipadamente, durante o lançamento mundial do modelo nos Estados Unidos, e trago aqui as primeiras impressões da motocicleta. A rodagem aconteceu na região de Palm Springs, na Califórnia, com direito a estradinhas sinuosas de asfalto, além de um pequeno trecho em terra.
Como será que se comporta a nova moto de estilo scrambler da Royal? Vai bem na terra? Saiba os detalhes na reportagem exclusiva aqui do MOTOO, além de informações sobre data de lançamento, especificações e preço.
Origem da Bear 650
O nome Bear remete à lendária prova Big Bear Run, nos Estados Unidos, realizada no deserto da Califórnia, especialmente nas décadas de 1950 e 1960. A ideia inicial era ir de moto, pelo caminho que fosse possível, até o Big Bear Lake. Não existiam trails propriamente ditas na época; assim, os motociclistas se aventuravam com as motos disponíveis.
O que era apenas um percurso virou uma corrida pelas areias da região. Em 1960, Eddie Mulder venceu a prova justamente com uma Royal. Mais de 60 anos depois, a Bear surge resgatando esse feito. Inclusive, a pintura "Two Four Nine" (249) é uma referência direta ao número do piloto naquela ocasião, além de trazer cores semelhantes no modelo.
Motor 650 com ajustes de desempenho
A Bear 650 utiliza o conhecido bicilíndrico em linha de 648 cc, com refrigeração a ar, presente também na Interceptor, Continental GT, Super Meteor, Shotgun, Classic 650 e Bullet 650. A principal alteração está no novo escapamento 2 em 1, que substitui as duas ponteiras por uma única saída.
Além disso, o torque foi elevado de 5,3 kgfm para 5,7 kgfm a 5.150 rpm — cerca de 8% a mais —, enquanto a potência permanece em 47 cv a 7.150 rpm. Na prática, foi possível perceber que a Bear 650 ficou mais ágil do que a Interceptor.
Não é um motor esportivo: continua linear e suave, mas agora entrega um pouco mais de disposição. O câmbio segue de seis marchas, com ajustes feitos para se adequar à nova ciclística e aos diferentes tamanhos de rodas adotados nesta versão. Em estradão, o motor é suficiente para manter boa velocidade de cruzeiro.
Em termos aerodinâmicos, a Bear 650 praticamente não oferece proteção. Assim, é preciso aceitar e curtir a proposta mais exposta, “de cara para o vento”.
Suspensão invertida e roda dianteira maior
Apesar do visual inspirado no off-road, a Bear 650 não é uma trail. O modelo recebeu suspensões com maior curso e nova configuração de rodas raiadas: 19 polegadas na dianteira e 17 na traseira — na Interceptor, ambas são de 18 polegadas.
Na frente, o destaque é o garfo invertido Showa SFF-BP (Separated Function Fork – Big Piston), com 43 mm de diâmetro e 130 mm de curso. Atrás, os dois amortecedores Showa oferecem 115 mm de curso e não contam mais com reservatórios externos de gás.
Na prática, a Bear 650 demonstrou melhor estabilidade tanto no asfalto quanto no fora de estrada. Em estradinhas sinuosas, o torque extra do motor, somado à maior firmeza das suspensões, tornou a moto bastante divertida.
Sobre a rodagem na terra, o trecho foi curto, apenas para uma primeira impressão. Ainda assim, o curso extra e os novos amortecedores tornaram a Bear 650 mais apta que a Interceptor para esse tipo de uso.
No entanto, trata-se de uma moto pesada, com 214 kg, cerca de 2 a 3 kg a menos que a Interceptor. Não se deve esperar a mesma precisão e capacidade de absorção de irregularidades que vemos, por exemplo, na Himalayan 450.
Os pneus são da indiana MRF, desenvolvidos especificamente para a Bear 650, com desenho voltado ao uso misto. Neste contato, apesar do visual mais off-road, não comprometeram o desempenho no asfalto e devem ajudar em terrenos mais escorregadios.
As medidas são 100/90-19 M/C 57H (dianteiro) e 140/80 R17 M/C 69H (traseiro). Um detalhe importante é que não são do tipo tubeless, ou seja, utilizam câmara. Modelos da marca, como Classic Goan 350 e Himalayan 450, já possuem opções com rodas raiadas sem câmara.
Estrutura reforçada e menor peso
Para acomodar as alterações na ciclística, o chassi foi reforçado na parte dianteira e traseira. A rabeta ficou mais estreita e ganhou nova lanterna em LED. A altura mínima em relação ao solo passou para 184 mm.
O tanque mantém capacidade de 13,7 litros. O peso total é de 214 kg, como já mencionado. Não se trata, portanto, de um modelo esguio. Além disso, o tanque não é tão grande para longas viagens. Dados oficiais indicam consumo médio de cerca de 24 km/l, o que resultaria em autonomia estimada próxima de 320 km.
Sistema de freios e eletrônica
A Bear 650 traz freios com ABS nas duas rodas, com possibilidade de desativação na traseira. O disco dianteiro tem 320 mm, enquanto o traseiro mede 270 mm.
No painel, o modelo adota o Tripper Dash, já visto em outras motocicletas recentes da marca. O visor digital circular permite navegação integrada ao Google Maps, mediante conexão com o aplicativo da fabricante no smartphone. Há também porta USB-C e iluminação full LED, incluindo os indicadores de direção.
Cores da Bear 650
No mercado exterior, a Bear 650 é comercializada em cinco cores: Broadwalk White, Petrol Green, Wild Honey, Golden Shadow e a série especial Two Four Nine, que faz referência à moto utilizada por Eddie Mulder no fim da década de 1960. Ainda não há informações sobre quais estarão disponíveis no Brasil.
Preço da Bear 650 no Brasil e data de lançamento
Os detalhes sobre data de chegada às lojas, preço, versões e disponibilidade da Bear 650 devem ser divulgados pela Royal Enfield nas próximas semanas. Até o momento, o valor da moto no mercado nacional não foi oficializado.
Para efeito de comparação, a Bear 650 segue no exterior posicionamento acima Himalayan, que parte de R$ 29.990 no Brasil, e abaixo da Super Meteor, cujo preço inicial é de R$ 34.990.
Conclusão
Em nossa avaliação realizada no fim de 2024, a Bear 650 se mostrou uma evolução em termos de equipamentos quando comparada à Interceptor 650, além de seguir uma proposta distinta de uso e estilo.
Trata-se de uma moto que entrega diversão com visual voltado aos nostálgicos. Mais próxima de uma roadster/scrambler do que de uma trail, tende a atrair quem busca versatilidade superior à da Interceptor, mas sem a proposta off-road mais intensa de uma Himalayan.
| FICHA TÉCNICA - Royal Enfield Bear 650 2026 |
| PREÇO | Não divulgado no Brasil |
| MOTOR | Bicilíndrico em linha, 4 tempos, SOHC, ar/óleo, 648 cc |
| ALIMENTAÇÃO | Injeção eletrônica |
| COMBUSTÍVEL | Gasolina |
| POTÊNCIA ETANOL | Não aplicável |
| POTÊNCIA GASOLINA | 47 cv a 7.150 rpm |
| TORQUE ETANOL | Não aplicável |
| TORQUE GASOLINA | 5,7 kgfm (56,5 Nm) a 5.150 rpm |
| CONSUMO | Aproximadamente 24 km/l (estimado fabricante) |
| TOP SPEED | Aproximadamente 170 km/h |
| DIÂMETRO x CURSO | 78 mm x 67,8 mm |
| CÂMBIO | 6 marchas |
| CHASSI | Tubular em aço, berço duplo |
| COMPRIMENTO | 2.216 mm |
| LARGURA | 855 mm |
| ALTURA | 1.160 mm |
| ENTRE-EIXOS | 1.460 mm |
| DISTÂNCIA DO SOLO | 184 mm |
| ALTURA DO ASSENTO | 830 mm |
| PESO SECO | 214 kg (ordem de marcha) |
| TANQUE | 13,7 litros |
| FREIOS | Discos nas duas rodas com ABS de duplo canal (desativável na traseira) |
| FREIO DIANTEIRO | Disco de 320 mm |
| FREIO TRASEIRO | Disco de 270 mm |
| PNEU DIANTEIRO | 100/90-19 M/C 57H |
| PNEU TRASEIRO | 140/80 R17 M/C 69H |
| CORES | Branca (duas opções), Amarela, Preta, Azul e Verde |
