Shineray é alvo de investigação por denúncia da Abraciclo; entenda
Ministério da Justiça apura representação que aponta supostas irregularidades em emissões, segurança e conformidade técnica em motos; Shineray afirma que não comentará o caso
A Shineray é alvo de uma investigação no Ministério da Justiça e Segurança Pública após denúncia apresentada pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
O procedimento foi aberto em novembro de 2025, ainda em caráter preliminar, mas só tornou-se pública agora neste mês de fevereiro, quando a Abraciclo divulgou um manifesto em suas redes sociais confirmando a representação formal contra a fabricante.
Segundo a Abraciclo, a Shineray teria cometido possíveis irregularidades no processo de fabricação de motocicletas, com impactos que poderiam atingir consumidores, o meio ambiente e a concorrência no setor.
De acordo com a notificação oficial, a averiguação foi instaurada com base no artigo 55, §4º, do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), no Decreto nº 2.181/1997 e na Portaria MJ nº 905/2017.
Do lado da Shineray, após nossa reportagem entrar em contato questionando o caso, recebemos um comunicado dizendo que a marca não vai se manifestar publicamente sobre os questionamentos. Veja a nota na íntegra ao final do artigo.
O que motivou a denúncia contra a Shineray
A Abraciclo representa a maior parte da indústria de motocicletas no Brasil. Com todas as suas associadas em Manaus, onde estão suas fábricas, a entidade é composta por Bajaj, BMW, Dafra, Ducati, Harley-Davidson, Honda, JTZ, Kawasaki, Suzuki, Triumph e Yamaha.
A associação detalhou que as principais questões apontadas estariam relacionadas ao risco ao consumidor, à ausência de componentes considerados relevantes para o controle de emissões e segurança ambiental.
De acordo com o documento, a entidade coloca da seguinte forma: "a Abraciclo recebeu alertas de suas associadas sobre possíveis irregularidades graves em motocicletas de fornecedora inserida no mercado. As suspeitas envolvem riscos ao consumidor, ao meio ambiente, à concorrência leal e ao trânsito seguro".
Entre os itens mencionados estão a ausência de catalisador, de cânister e de sistema de ventilação do cárter em motocicletas da Shineray.
Segundo a Abraciclo, a falta de catalisador poderia representar descumprimento às normas que regulamentam os limites de emissão de poluentes. Já a ausência de cânister poderia, de acordo com a denúncia, gerar riscos ao meio ambiente e à saúde pública.
O documento também aponta que a eventual ausência de ventilação do cárter poderia expor consumidores e a coletividade a compostos nocivos, com reflexos ambientais e sanitários.
Processo administrativo e prazo de defesa
Com base na denúncia apresentada pela Abraciclo, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, notificou formalmente a Shineray para que apresente esclarecimentos técnicos.
O prazo estabelecido é de 20 dias corridos, contados a partir do recebimento da intimação.
A notificação solicita que a Shineray se manifeste especificamente sobre os seguintes pontos:
- Supostos riscos à saúde e à segurança do consumidor;
- Eventual excesso de emissões de poluentes e ruído;
- Conformidade dos produtos com as normas ambientais e técnicas vigentes;
- Integridade das informações prestadas ao consumidor.
Posicionamento oficial da Shineray
Procurada para comentar a denúncia da Abraciclo e o processo em andamento, a Shineray informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não irá se manifestar publicamente neste momento sobre os questionamentos.
Em nota oficial, a empresa declarou que opta por não comentar o caso neste primeiro momento.
No comunicado, a Shineray afirmou ainda que seus produtos seguem os padrões técnicos, normativos e legais exigidos pelos órgãos competentes, estando, segundo a empresa, plenamente regulares.
A fabricante também informou que todas as informações oficiais relativas ao seu portfólio, incluindo modelos comercializados e respectivas especificações técnicas, estão disponíveis e atualizadas em seu site oficial.
Veja a nota na íntegra:
"Informamos que a Shineray opta por não se manifestar sobre os questionamentos.
Reforçamos que os produtos da Shineray do Brasil seguem rigorosamente os padrões técnicos, normativos e legais exigidos pelos órgãos competentes, estando plenamente regulares.
Esclarecemos que todas as informações oficiais relativas ao portfólio da marca, incluindo modelos comercializados e respectivas especificações técnicas, encontram-se publicamente disponíveis e atualizadas no site oficial da montadora."
Até a conclusão do processo, não há aplicação de penalidades ou determinações definitivas contra a Shineray. O caso agora será apurado no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Crescimento em vendas da Shineray
No mês de janeiro de 2026 a Shineray alcançou 7,24% do mercado nacional, segundo dados da Fenabrave, consolidando seu crescimento registrado ao longo de 2025. A marca chinesa ocupa atualmente o terceiro lugar no ranking nacional de vendas, atrás somente de Honda e Yamaha.
No ano passado, a fabricante somou 130.600 unidades emplacadas, alcançando 5,94% de market share. No primeiro mês do ano de 2026, a Shineray registrou 12.920 motocicletas emplacadas.
Ainda em relação aos dados de 2025, a Shineray inaugurou 275 novas lojas, encerrando o ano com 438 revendas em operação no país.
